Nessa minha vida corrida, de olhar muitas vezes apenas para o meu próprio umbigo, de fugir de noticiários que muitas vezes me deprimem, acabo ficando apática a alguns fatos que acontecem pelo Brasil afora.
Agora pela manhã ao ligar a televisão, me deparei com uma história que desconhecia, no programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, estavam mostrando uma menina de 19 anos, Railane, ex moradora de rua. Mas quem é Railane? Me perguntei.
Fiquei ali parada tentando entender os acontecimentos, e minha surpresa foi enorme quando a apresentadora explicou como essa jovem ficou conhecida.
Acredito que muitas já conheçam a história e muitas como eu, fugitivas de fatos que não queremos presenciar, que queremos fingir não existir, tapam os olhos para as crueldades do mundo e tentam viver no "país das maravilhas".
Apesar de ter o pé no chão, tento viver como "Alice" e pintar um mundo meu, acho que esse é o verdadeiro motivo do meu blog, fazer dos meus dias mais doces e trazer pra cá o colorido da vida, a razão pela qual eu existo que é acreditar nas pessoas e saber que o amor ainda existe no coração da maioria, que apesar das adversidades do dia a dia, ainda podemos ser feliz e presenciar a solidariedade.
No mês de Dezembro de 2009, durante a ida a um supermercado em São Bernardo do Campo, por um descuido dos pais, a pureza da criança e o libido do maníaco sexual fizeram resultar numa quase trágedia. A filha de quatro anos de um casal que estava com a irmã de onze anos foi retirada de dentro do supermercado por um pedófilo e levada a um matagal, e só não sofreu um estupro (volência que está se tornando diária na vida das pessoas), pois Railane de Jesus foi verificar o que estava acontecendo ao ser avisada por uma outra senhora (moradora de rua), que um homem havia adentrado o matagal com a criança, assim, tomada por um instinto materno e de solidariedade, partiu para cima do homem com uma pedra, sem pensar nas consequências, apenas que precisava salvar aquela frágil criança a implorar por socorro, e apesar de receber um soco no rosto, conseguiu que o homem partisse correndo.
Uma moradora de rua, usuária de crack, suja, que não têm casa, utensílios, roupas, que foi privada pela sociedade e que teve tudo confiscado pelo destino mas que não perdeu seus instintos naturais de fé, solidariedade e compaixão humana apesar do frio e da chuva debaixo de seu viaduto inferno.
Não tenho dúvidas de que Deus usa a sua linguagem nas simples ocorrências para mostrar-nos o quanto é Supremo. A cada dia me convenço mais que: "As pessoas certas, na hora certa e nos lugares certos só se encontram por obra de Deus. São anjos da guarda na Terra".
Quantas Railanes existem nesse mundo? Quantas pessoas estão nas ruas jogadas a própria sorte, sem uma oportunidade, sem uma mão amiga.
Quantas vezes passamos por essas pessoas que se encontram muitas vezes estiradas em nosso caminho, e se quer as olhamos, por receio, medo, preconceito, esquecemos que elas também são depositárias de valores humanos inalienáveis que às vezes subestimamos, sua condição de carência é apenas um detalhe momentâneo, por dentro de um corpo imundo pode estar uma alma tão ou mais limpa do que imaginamos.
E quando paro para pensar em quantas Railanes estão por aí invisíveis, mal compreendidas e abandonadas pela sociedade, fico triste, porque me sinto de mãos atadas.
Railane quando salvou a menina de quatro anos, salvou a si mesmo, pois abriram-se portas para que ela saisse das ruas, se desintoxicasse e fosse inserida na sociedade como parte pertencente a ela e não mais um número de vítima das drogas.
Eu me orgulho de pessoas assim, como Railane que não se assustam com a profundidade do buraco em que cairam, e que se agarram a primeira corda jogada para sair dali e recomeçar.
É amigas acho que essa história me fez rever conceitos e desejo de todo coração que tenha tocado vcs tanto quanto me tocou.
Não posso mentir que sou daquelas que muitas vezes atravessa a rua quando vê alguém maltrapilho e sujo, mediante a violência da cidade em que vivo e das coisas que vemos pelo Brasil e mundo afora, não tinha como ser diferente, porém, a partir de agora vou analisar melhor essas pessoas, vou passar a respeitá-las mais como ser humanos que são e torcer para que não precisem passar pelo que a Railane passou para que possam ser vistas e ajudadas pela sociedade.
Bom... essa é minha mensagem de hoje, deixemos de lado a beleza do artesanato, dos móveis, dos ambientes e vivenciemos um pouco a beleza da vida.